Termômetro da Participação

ESTUDOS DE CASO

Além da pesquisa online, realizamos e acompanhamos dois estudos de casos junto a jovens da periferia e do centro da cidade de São Paulo com o intuito de apresentar metodologias replicáveis que fomentam a participação da juventude na governança da terra. São elas: Termômetro da Participação e Jogo Oásis.

Termómetro da Participação

Descrição da Metodologia

O Termômetro da Participação é uma metodologia voltada ao mapeamento e reflexão sobre a participação da juventude nos espaços de uso comum (públicos e privados) no território.

Co-criada por este projeto juntamente com representantes da sociedade civil que trabalham com juventude, cidadania e participação social, foi aprofundada e realizada como projeto-piloto junto ao Escola de Notícias (EDN), um empreendimento social na área de comunicação, educação e mobilização, situado no Campo Limpo, zona sul da cidade de São Paulo.

Consiste na realização de encontros com rodas de conversas, atividades colaborativas e visitas exploratórias.

Objetivos 

  • Reconhecer espaços de participação no território;
  • Identificar e qualificar a participação nesses espaços;
  • Refletir sobre os conceitos de governança, engajamento e participação.

Público-alvo

  • Jovens interessados/as na melhoria de espaços de uso comum;
  • Moradores do centro ou periferia, zona urbana ou rural.

Aplicação da Metodologia

Cuidados iniciais

  • Desenvolver a atividade em um lugar localizado onde os/as jovens participantes vivem e/ou circulam frequentemente;
  • Esclarecer e diferenciar os termos “frequentar” e “participar”, destacando que participação implica envolvimento e/ou compromisso com o cuidado e melhoria dos espaços;
  • Ouvir e considerar todas as opiniões sem preconceitos, porém com atenção a falas que não respeitem a diversidade;
  • Estar aberto às sugestões e críticas dos/as jovens durante todo o processo;
  • Valorizar parceiros locais na organização dos encontros.

Realização

1) Etapas para quem já atua com jovens no território:

PRIMEIRO ENCONTRO – Duração total: 5h30

Atividades:

RODA DE APRESENTAÇÃO E AGENDA – Duração: 1h30

  • Facilitador/a explica os objetivos dos encontros (15′);
  • Preenchimento de crachá com nome, “o que sabe fazer de melhor” e “o que gosta no território onde vive”. Formação de roda e compartilhamento das informações colocadas nos crachás (5’).

IDENTIFICAÇÃO DE ESPAÇOS COMUNS – Duração: 1h

  • Facilitador/a pergunta: Quais são os espaços comuns que vocês mais frequentam e/ou participam na cidade?

– Preenchimento de post its com os espaços escolhidos;

– Disposição dos post its em uma parede e agrupamento dos que forem semelhantes.

  • Facilitador/a revisa o conteúdo e inicia reflexão com as seguintes perguntas: Está tudo aí? Tem algo faltando? Por que vocês escolheram estes espaços?

INTERVALO – Duração: 30′

MOTIVAÇÃO PARA FREQUENTAR/PARTICIPAR DOS ESPAÇOS – Duração: 30′

  • Facilitador/a inicia conversa em formato plenária: Quais as razões para vocês frequentarem esses espaços? De quais desses espaços, além de frequentar, vocês participam? O que te move a participar destes espaços? Como vocês participam desses espaços?

QUALIDADE DA PARTICIPAÇÃO – Duração: 1h30′

  • Facilitador/a divide os/as jovens em grupos de 5 pessoas e propõe uma reflexão a partir das seguintes perguntas: Que qualidades existem nestes espaços que fazem com que vocês participem? O que um espaço precisa ter para você participar? (20′).
  • Jovens compartilham na plenária a reflexão de cada grupo e juntos/as identificam as 5 principais qualidades que promovem a participação dos/as jovens nos espaços mencionados (indicadores da participação) (50′).

AVALIAÇÃO E CONVITE PARA ENCONTRO SEGUINTE – Duração: 30′

  • Facilitador/a termina conversa em formato plenária: Como foi o dia?
  • Facilitador/a compartilha a proposta do encontro seguinte e junto com os/a jovens escolhem espaços para serem visitados.

SEGUNDO ENCONTRO – Duração total: 8h

CHECK IN – Duração: 30′

  • Facilitador/a inicia a conversa: Como foi a semana? Alguém sentiu alguma mudança na maneira como percebe sua relação com os espaços que frequenta e/ou participa?

APRESENTAÇÃO DA AGENDA DO DIA – Duração: 30′

  • Facilitador/a resgata o encontro anterior e apresenta a agenda do dia;
  • Facilitador/a passa orientações para as visitas.

VISITA E OBSERVAÇÃO DOS ESPAÇOS – Duração: 3h

  • Facilitador/a realiza a visita com os/as jovens e, em trios, eles/as observam o espaço a partir das qualidades/indicadores levantados no encontro anterior.

Exemplo de ferramenta de apoio para a visita:

Instrumento de Observação: Participação em espaços de uso comum no território
Indicadores de Qualidade Descrição dos indicadores (aspectos vinculados ao indicador) Aponte a qualidade observada durante a visita para cada item (escolha um número de 1 a 5, sendo 1 = pouco e 5 = muito) Descreva sua observação: por que você escolheu este número?
Ambiente convidativo Colaboração, trocas de conhecimento, aprendizado, acolhimento
Espaço físico Infraestrutura adequada, que promove a acessibilidade, a diversidade etc.
Disposição para a escuta Facilitação de diálogo e de processos de co-construção por parte da gestão e dos/as funcionários/as
Comunicação Mobilização, engajamento e acesso à informação
Empoderamento dos/as Jovens Corresponsabilidade do jovem na gestão dos espaços
Dica: se puder, durante a visita, converse com mais de uma pessoa no local: gestores/as, funcionários/as, jovens visitantes, etc. Entender vários pontos de vista pode facilitar a percepção do local.

ALMOÇO – Duração: 1h

CONSTRUÇÃO DO TERMÔMETRO DA PARTICIPAÇÃO – Duração: 40′

  • Facilitador/a e jovens constroem termômetros com os indicadores criados (qualidades da participação) para medir que aspectos são bons e o que poderia ser melhorado nos espaços visitados.
  • Grupos preenchem os termômetros com suas avaliações.

APRESENTAÇÃO DOS TERMÔMETROS E CONVERSA SOBRE AS VISITAS: 1h

  • Cada grupo apresenta seus termômetros, o que produziu e observou, a partir das seguintes perguntas: Como foi a visita? O que chamou atenção?

CONVERSA SOBRE GOVERNANÇA DA TERRA – Duração: 1h

  • Facilitador segue conversa em formato plenária: Qual o papel dos/as jovens nesses espaços? A partir do que foi observado nas visitas, como poderíamos melhorar esses espaços de participação? O que essa conversa tem a ver com governança da terra? O que é governança da terra? O que significa governança da terra no contexto da cidade?

AVALIAÇÃO – Duração: 20′

  • Facilitador/a termina o encontro avaliando a atividade: Como foi o dia? Como foi participar deste processo? Quais foram os pontos positivos? E os pontos que poderíamos melhorar?

2) Etapas extras para quem não atua com jovens no território, a serem realizadas antes da execução dos encontros descritos anteriormente.

ENCONTROS DE CHUVA DE IDEIAS (BRAINSTORMING) COM “JOVENS PONTE” (ARTICULADORES DE GRUPOS E SETORES).

ENCONTRO COM JOVENS LOCAIS.

  • Apresentar a metodologia termômetro da participação e o YRC;
  • Convidar para participação nas atividades;
  • Definir a agenda de trabalho.

MOBILIZAÇÃO DE JOVENS

  • Identificar jovens com diferentes perfis e níveis de engajamento e considerar diversidade de representação (gênero, raça/etnia, condição econômica, deficiência física etc.);

• Realizar convites personalizados.

DEPOIMENTOS DE JOVENS QUE PARTICIPARAM DA APLICAÇÃO DA METODOLOGIA

“Quando você começa a escutar, você quer falar e quando você começa a falar, você quer fazer“.

“Conforme você vai se formando, você vai aumentando as suas responsabilidades no território. Eu adoro participar e conforme eu fui participando, achei formas de participar melhor. Uma delas é ouvindo pra aprender e tentar contribuir. Me surpreendi de ouvir jovens mais jovens.

“Cheguei sem saber o que íamos fazer. Hoje eu adquiri conhecimento, entendo minha importância e quero que isso se transforme em sabedoria”.

Aprendi com os mais velhos e também percebi que aprenderam comigo. Eu achei muito legal este tema. Nunca vivenciei esse tema antes”.

Nunca participei de um debate desses, muito interessante, agradeço”.

“Quando cheguei aqui eu tava meio perdida. Não sabia o que tinha que fazer, o que tinha que falar, fiquei com medo e com todo esse processo tô saindo daqui com muita informação, conhecimento e saio daqui com espírito de mudança“.

“Eu já tinha lido um pouco sobre a pesquisa e com uma explicação bem por cima sobre o que era… O processo de pesquisa na Vila Madalena foi muito diferente. E fiquei muito empolgada com outras possibilidades que este projeto abriu, como, por exemplo, a possibilidade de apresentar um projeto na escola em que visitamos, pois eles abrem no final de semana para a comunidade (Programa Escola da Família)”.

“E a gente descobriu vários locais que a gente não conhecia, viu várias coisas novas e sem contar que este processo agregou no modo de olhar do dia a dia dos espaços (…)”.

“Aprendi sobre a governança da Terra ou o bom uso da Terra dos espaços que são públicos, se eles são realmente públicos porque não usar da melhor forma e utilizar o quanto mais possível deste local.

“Boa governança da terra é você fazer um bom uso dos espaços públicos, utilizando de forma adequada, conhecendo os projetos, conhecendo e fazendo o uso, usufruindo dos espaços, conhecendo novas pessoas. Isso para mim é a boa governança da terra (…) isso para mim é fazer bom uso da terra, utilizar todos os projetos, ambientes e espaços possíveis na comunidade”.